Entrevista com Roberto Godoi
Por POJ da Redação Último Round
De onde surgiu a parceria com a Brazilian Top Team?
Sempre tive admiração e bons relacionamentos com o pessoal da antiga do Carson Gracie, em especial com o Libório, Zé Mario e Murilo Bustamante.
Certo momento, um grande aluno meu teve que se mudar para o Rio e falei para ele ir treinar com o Murilo, pois na época a BTT ainda estava prestes a se formar.
Esse meu aluno, com o tempo se tornou do contexto dos líderes da então já formada BTT e passou a fazer o meio de campo entre eles e eu, daí foi a fome com a vontade de comer.
Na Godoi os treinos de MMA são focados no Jiu Jitsu ou no Boxe?
Na Godoi a parte em pé do MMA é focada no Boxe e no Muay Thai dependendo da aptidão natural ou escolha de cada um. Já no chão, nosso carro-chefe é o Jiu Jitsu.
Fale-nos sobre Wilsinho Reis e Alexandre Popó.
O Wilsinho dispensa apresentação. É um atleta nato que chegou a nós com 14 anos, já tendo treinado um pouco de Judô e mostrando que se destacava da maioria.
Com o passar dos anos, adquiriu um volume de chão muito grande, vencendo diversos campeonatos de nível, inclusive mundial.
Posteriormente foi dar aulas nos EUA, onde passou a lutar muito submission e depois o MMA, no qual se sagrou dono do Cinturão do EliteXC, tendo como seu forte, o volume de luta e chão refinado.
O Popó é outro que passam 1000 pela sua mão para aparecer outro igual.
Chegou a nós há cerca de 4 anos com uma forte base de luta olímpica.
Hoje tem um chão refinado, tendo entre outros títulos Campeão Brasileiro e Paulista de Jiu Jitsu.
Nesse tempo conosco começou a treinar Boxe, sendo Campeão da Forja, e esse ano estreou no MMA com 2 vitórias no cartel. Seus pontos fortes são: preparo absurdo, mãos muito boas, volume intenso de luta no chão.
Quais são os pontos fortes do jogo do Wilson Reis?
Como disse antes, são vários. O cara tem que ser bom 100% do seu tempo. Não é só na hora do combate e isso o Wilson é de sobra.
Sua cabeça está sempre focada na vitória dando suporte para o corpo fazer o resto.
Seu jogo de chão é muito forte de meia-guarda por baixo, pega muito bem as costas, não para um segundo, quase impossível de se pegar na guilhotina, entre outros. Já em pé, bota muito bem para baixo principalmente no single-leg e está melhorando muito seu Boxe jogando de canhoto.
Já pensou em montar uma filial nos Estados Unidos?
Com certeza já pensei. A cada ano tenho estado mais na América e visto o crescimento do nosso esporte por lá.
O Wilson Reis é maravilhoso como cartão de visita da nossa academia e estamos vendo para abrirmos nossa sede lá com ele.
Temos o Márcio Laselva, aluno do Tozi, com uma filial nossa no Kansas, também levando nosso nome. As coisas estão acontecendo por lá para nós…
Você detém vários títulos no Jiu Jitsu. Falta algum que você ainda queira muito?
Com certeza falta e sempre faltará pois é isso que me motiva a continuar lutando e aprendendo.
Um título quero muito é o Mundial da CBJJ adulto, já bati na trave 2 vezes perdendo na semi, mas vou escrever outra história em breve.
Você já treinou com Minotauro e Anderson Silva na Godoi? Eles solicitaram algum tipo de ajuda para melhorar o jogo no chão?
Sou fã e grande amigo tanto o Rodrigo Minotauro quanto o Anderson Silva.
O Rodrigo, em especial, é uma pessoa muito querida que me abriu as portas da sua casa quando pouco me conhecia.
Quando eles vêm para São Paulo têm à disposição todo o suporte da nossa academia e material humano para treinar mais na situação de grandes amigos e trocarmos várias posições e nos exercitarmos do que me solicitar para melhorar seu chão.
Pretende atuar no MMA novamente?
Com certeza. Era para lutar agora em novembro mas peguei caxumba depois de velho e tive que adiar meus planos para ano que vem.
O Jiu Jitsu é meu ganha-pão do dia-a-dia mas o MMA é o lance do futuro e estamos nos adaptando para não ficar para atrás.
Tem algum adversário que gostaria de enfrentar no MMA?
A verdade é que não. O que me motiva a lutar indifere de adversário. É uma motivação natural em me desafiar.
Quem é seu ídolo no MMA?
Meu maior ídolo no MMA se chama Rodrigo “Minotauro” Nogueira.
Qual a sensação de ter graduado um faixa-preta que se tornou campeão de MMA nos Estados Unidos?
A sensação de dever cumprido, pura alegria. Quem conhece a história do Wilsinho sabe o quanto ele é merecedor de tudo isso e muito mais.
Ele começou a lutar MMA já morando nos EUA e hoje se esforça para ser o mais completo possível.
Mas se você analisar todas as suas lutas, verá que seu diferencial é o chão que cresceu treinando conosco.
Wilson Reis era um bom aluno?
O Wilson era e, quando eu estou por lá, ou ele aqui, ainda é um ótimo aluno.
Tem fome de treino, atento às posições, pensa em grupo, ótimo preparo, etc.
Quais são os melhores atletas de Jiu Jitsu na atualidade?
São inúmeros. É até injusta essa pergunta ao meu ver pois cada dia é um dia e, conseqüentemente, uma luta nova. Mas por cima Michel Langui, Xande, Tozi, Serginho Vieira, Bruno Frazato, Big Mack, Roger Gracie,..
Quais brasileiros adaptaram melhor o Jiu Jitsu ao MMA?
O nosso maior defensor nesse quesito, longe do segundo colocado, é o Rodrigo Minotauro.
Quais eram os seus maiores adversários na época em que competia regularmente?
Foram muitos, afinal fiz 20 anos de prática de Jiu-Jitsu e lutei cerca de 20 lutas só esse ano.
No começo em São Paulo teve um ou outro, depois era com o pessoal da Gracie Barra, na qual tive grandes combates contra o Cumprido, Léo Dalla, Fábio Gurgel, entre outros.
Você é reconhecidamente um dos melhores professores de Jiu Jitsu. Sua equipe dominou as competições no estado de São Paulo durante anos. Como foi a transição de atleta para professor?
Quando eu comecei com o Marcelo Bering em 88 não existiam professores em São Paulo. Era comum faixa roxa dar umas aulinhas.
Em 93, após ter sido campeão Brasileiro pela terceira vez consecutiva na faixa roxa no Rio, voltei e comecei a dar aulas no fundo de casa numa área 60m2 onde se espremiam cerca de 40 alunos no qual, ironicamente, chamavam de “Senzala”.
De lá saíram vários atletas atuantes até hoje.
Ou seja, essa transição para dar aulas foi um processo natural que veio aos poucos de longa data o qual eu amo de paixão.
O que você aconselha aos atletas que pensam em ser professores?
Que tenham consciência que hoje a concorrência é alta e que não é fácil de fazer acontecer, mas para os que realmente se dedicam e fazem um bom trabalho, sempre haverá espaço.
Dou aulas no mesmo local a 11 anos, 3 x por dia, 5 dias por semana, faça chuva ou sol.
Para você, o que é lutar até o ÚLTIMO ROUND?
Para mim é ser 100% sempre em todos os momentos do seu cotidiano. A grande chance de mostrar a todos o que você tem de melhor, é deixar o seu guerreiro interior aflorar e agir por você!
Godoi, deixe uma mensagem a todos aqueles que pretendem seguir a carreira de lutador, seja de Jiu Jitsu ou MMA.
Muita vontade, muito foco no seu objetivo. Só há espaço para aqueles que se entregam por inteiro e fazem por onde serem campeões.
Hoje em dia está cada vez mais difícil e, acredito pelo menos no MMA, que estamos no degrau 3 do 10 ao nível que deve chegar.
Procure ser assessorado por bons profissionais que sirvam de rampa para você chegar a vitórias mais grandiosas que as deles.
Muito obrigado pela sua atenção. Espaço aberto para deixar mensagens aos fãs.
Fico muito feliz com a participação no site de vocês e estou à disposição de qualquer dúvida, assim como o convite de vocês virem à nossa academia.

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