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Edição #3 Brasil Combate Magazine

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Editorial: MAIO 2018

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Editorial: MAIO 2018

Já parou para pensar que a greve dos caminhoneiros pode ser um alerta para nós, lutadores?

Enquanto fechávamos esta edição, a greve dos caminhoneiros entrava no quinto dia, mostrando muita força. A paralisação ganhou apoio popular, tendo em vista a legitimidade de sua reivindicação: abaixar o preço do diesel. É claro que a falta de circulação de mercadorias é incômoda e traz diversas consequências, principalmente econômicas, e surge a possibilidade de desabastecimento, a depender da duração da greve. Mas, e aí: vale a pena não se conformar?
Depois da resistência e das consequências, o resultado: reivindicação atendida. Com isso, fica a reflexão: vale sim a pena se movimentar em busca de mudanças. No contexto da arte suave, talvez seja o momento para pleitear melhorias com as federações e os organizadores de eventos dos esportes de combate. Será mesmo legítimo fazê-lo, tendo em vista termos tão poucos eventos em nosso país? Sim, pois o contexto mudou — antes, eram poucos atletas competidores, mas hoje há muito mais, competindo e pagando inscrições, o que significa mais arrecadação.
Diante disso, por que não abaixam o valor das inscrições, democratizando o esporte? Porque a principal federação de jiu jitsu do país não permite. Por que um percentual dos valores arrecadados não retorna como investimento na arte suave? Não é um absurdo pensar em mobilizações contra esta conduta. É claro que um abafa logo seria promovido e professores de grandes academias receberiam uma cota maior pela quantidade de inscritos. Opa, isso já não acontece? Não se engane, leitor: o mundo é business. O mais intrigante é que algumas equipes deixam claro em suas regras que, nos eventos da federação Y, é preciso a participação de um percentual de competidores por academia franqueada, em troca de algumas benesses.
Em meio a tantas crises, os lutadores são desrespeitados por quem deveria justamente valorizá-los. Campeonatos sem premiações decentes, empresários que não têm “condições” e nem a cultura de patrocinar atletas, um governo que não investe nos esportes de combate. Há ainda as federações que pensam como empresas, visando unicamente o lucro, mesmo a despeito da transparência. Sem adentrar o mérito desta polêmica, usando as palavras do entrevistado Eliezer Dutra “Piezi”, na sessão QG, um dia a casa cai.
De tudo, a conclusão é que o Brasil poderia ser um país com maior aproveitamento de seus atletas e menos exportação deles. Atualmente, contudo, isso não é possível, já que nossos atletas não têm incentivo para treinar, competir e viver do jiu jitsu — e não para o jiu jitsu. Você acha mesmo que os profissionais que vivem fora do país não queriam estar próximos dos seus parentes? A vida lá fora não é fácil, mas ainda é melhor do que a que os atletas enfrentam todos os dias no Brasil.

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Wesley Moura – editor@brasilcombate.com.br

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